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Disponível em outras cidades gaúchas, cateter hidrofílico ainda não é fornecido via SUS na capitalDisponível em outras cidades gaúchas, cateter hidrofílico ainda não é fornecido via SUS na capital

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Publicado em 28/07/2026, Por Grupo RSA de Comunicação | Rádio Sananduva Ltda

Porto Alegre, 9ª cidade mais rica do País, ainda não disponibiliza pelo Sistema Único de Saúde (SUS) o cateter hidrofílico para pessoas que dependem do cateterismo intermitente para esvaziar a bexiga. A situação contrasta com a realidade de outros municípios do Rio Grande do Sul, como Gramado, que já oferecem o dispositivo à população.

Indicado para pessoas com retenção urinária decorrente de condições como lesão medular, esclerose múltipla, AVC, Parkinson, espinha bífida e outras disfunções neurológicas, o cateterismo intermitente limpo é considerado o padrão-ouro para o manejo dessa condição. No entanto, a escolha do tipo de cateter é um fator decisivo, podendo impactar diretamente a segurança, o conforto e a qualidade de vida dos usuários.

“Os cateteres hidrofílicos possuem um revestimento especial que cria uma superfície extremamente lisa e lubrificada, o que reduz significativamente o atrito durante a introdução e a retirada do cateter pela uretra. Na prática, isso se traduz em maior conforto para o paciente, menos dor ou desconforto durante o procedimento e menor risco de microtraumas uretrais e sangramentos”, explica Marcio Averbeck, Doutor em Ciências da Saúde e Coordenador de Neurourologia do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre.

De acordo com o médico, estudos científicos demonstram que os cateteres hidrofílicos podem contribuir para a redução de complicações relacionadas ao uso prolongado do cateterismo, incluindo infecções urinárias e lesões da uretra em grupos específicos de pacientes. “Além dos benefícios clínicos, esses dispositivos costumam proporcionar maior praticidade e independência, favorecendo a adesão ao tratamento e permitindo que os pacientes mantenham suas atividades profissionais, educacionais e sociais com mais segurança e confiança”, afirma.

Embora o Ministério da Saúde reconheça o cateterismo intermitente como tratamento de referência para retenção urinária, a disponibilização do cateter hidrofílico ainda depende, em muitos casos, de decisões locais de gestão, mesmo após a sua incorporação ao SUS em 2019, por meio da portaria 37. Como consequência, pacientes de diferentes regiões do país ainda enfrentam realidades desiguais no acesso ao tratamento adequado.

No Rio Grande do Sul, o município de Gramado, por exemplo, já oferece o dispositivo aos pacientes que necessitam da terapia. A cidade foi uma das pioneiras no país a adotar os cateteres hidrofílicos e seu programa é considerado um dos mais bem-sucedidos. Segundo a Secretaria de Saúde de Gramado, o programa de dispensação do dispositivo começou em 2022, com o objetivo de aprimorar a jornada do paciente com necessidade de cateterismo vesical intermitente.

A cidade disponibiliza o cateter hidrofílico para pacientes que atendem critérios como dor ou desconforto persistente com o cateter convencional, sangramento recorrente durante o procedimento, resistência na passagem do cateter, infecção do trato urinário de repetição, mesmo com técnica correta e necessidade do auxílio de mais de um cuidador. De acordo com o órgão, a implementação do protocolo gera resultados em duas frentes principais: para o paciente, já que reduz a incidência de infecções urinárias e complicações mais graves, além de aumentar a qualidade de vida, o conforto e a autonomia; e para a gestão municipal, com padronização e segurança em toda a rede, uso racional de recursos com economia a longo prazo e fortalecimento da UBS como coordenadora do cuidado.

Qualidade de vida e impacto socioeconômico

Já em Porto Alegre, muitos usuários precisam recorrer à compra particular para garantir acesso à tecnologia. Jonathan Fernando Araújo, de 34 anos, que vive com lesão medular desde 2022 causada por um acidente automobilístico, usa atualmente o cateter de PVC fornecido pelo SUS, mas já utilizou o cateter hidrofílico em algumas ocasiões e relata que teve uma experiência bastante positiva. “Ajuda muito porque já vem lubrificado e, principalmente, porque evita infecções urinárias”, ressalta. O usuário conta que sempre sofreu muito com as infecções, decorrentes do cateterismo realizado com o cateter de PVC. “Tenho propriedade para falar porque são quase quatro anos fazendo o cateterismo e, durante esse tempo, o período máximo que consegui ficar sem infecção urinária foi de apenas quatro meses”. 

Para Jonathan, facilitar o acesso ao dispositivo não ajuda só as pessoas que sofrem com a retenção urinária, mas também o município, uma vez que diminui as complicações urinárias. “Existem estudos que comprovam que o cateter hidrofílico pode reduzir significativamente as infecções urinárias. Então, se a cidade distribui a tecnologia, melhora a qualidade de vida das pessoas que convivem com a condição e economiza com os gastos das internações provocadas pelas infecções”, diz.

De acordo com Marcio Averbeck, o acesso ao cateterismo intermitente e, especialmente, aos cateteres hidrofílicos, deve ser entendido como uma medida de promoção de saúde, prevenção de complicações e inclusão social. “Muitos pacientes, quando dispõem de tecnologias mais seguras e confortáveis, conseguem estudar, trabalhar, viajar e participar ativamente da sociedade com maior autonomia. Além disso, a disponibilização do dispositivo pode gerar economia para os sistemas de saúde ao reduzir complicações que frequentemente demandam consultas, internações e tratamentos adicionais. Portanto, ampliar esse acesso representa um investimento em qualidade de vida, dignidade e cuidado baseado em evidências científicas”, conclui.

Sobre retenção urinária e cateterismo intermitente limpo

A retenção urinária é uma condição caracterizada pela incapacidade parcial ou total de esvaziar a bexiga adequadamente. Ela pode estar associada a doenças neurológicas, lesões medulares, esclerose múltipla, AVC, diabetes e outras condições que comprometem o funcionamento da bexiga, quadro conhecido como bexiga neurogênica[1]. E quando a bexiga não esvazia corretamente, o paciente pode desenvolver infecções urinárias recorrentes, lesões renais e outras complicações importantes. 

Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia, a técnica do cateterismo intermitente limpo (CIL) é considerada atualmente como o padrão ouro em cuidado da retenção urinária porque utiliza materiais não-estéreis, exigindo apenas a limpeza das mãos e da região genital, portanto, podendo ser realizada também fora do ambiente hospitalar. Esta técnica consiste em introduzir um cateter no canal da uretra que irá drenar a urina contida na bexiga para o vaso sanitário ou um recipiente externo (bolsa coletora), que posteriormente é descartado. Os cateteres hidrofílicos são os mais recomendáveis para usuários que necessitam realizar o cateterismo intermitente porque permitem a remoção da “urina residual” evitando multiplicação de bactérias e infecções urinárias recorrentes. Além disso, comparado aos cateteres de permanência, o CIL reduz pela metade a ocorrência de infecções urinárias.

Estudo[2] realizado com 130 paratletas cadeirantes do Brasil, Canadá, EUA, Chile, Colômbia e Japão, revelou que 84% deles realizam o cateterismo intermitente com cateter convencional. Destes, 84 tiveram alguma complicação ao longo de um ano, como lesões uretrais e infecção urinária. Cateteres hidrofílicos melhoram a qualidade de vida dos paratletas, reduzindo lesões uretrais, sangramentos e infecções urinárias recorrentes.

SOBRE A COLOPLAST

A Coloplast é líder global no desenvolvimento de produtos e serviços que tornam mais fácil a vida de pessoas com necessidades íntimas de saúde, incluindo cuidados com estomias, retenção urinária, feridas e pele.  

 

Fonte: Fernanda Tintori / Ketchum

Foto: Grupo RSA de Comunicação / Rádio Sananduva Ltda







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