Celebrado anualmente em 11 de junho, o Dia Mundial do Câncer da Próstata objetiva sensibilizar o público para uma das neoplasias mais prevalentes nos homens. Focada na prevenção e no diagnóstico precoce — pilares fundamentais para melhorar os resultados do tratamento e reduzir a mortalidade, a data chama a atenção para a importância de conhecer os fatores de risco e do diagnóstico precoce.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1.414.259 pessoas foram diagnosticadas com câncer de próstata em 2020 em todo o mundo e mais de 375.000 morreram em decorrência da doença – o segundo tipo mais diagnosticado em homens, globalmente.
Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos em nível mundial ocorrem a partir dos 65 anos.
No Brasil, o aumento observado nas taxas de incidência pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 77.920 novos casos para cada ano do triênio 2026 a 2028 e o número de mortes é de 17.826 (Atlas de Mortalidade por Câncer, 2024).
Câncer de próstata é o tumor que afeta a próstata, glândula presente apenas nos homens, localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. Embora seja uma doença comum, por medo ou por desconhecimento muitos homens preferem não conversar sobre esse assunto.
Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.
A identificação precoce permite intervenção oportuna, o que pode melhorar significativamente tanto as taxas de sobrevida quanto a qualidade de vida. Nos casos em que o câncer de próstata é diagnosticado em estágio localizado, a taxa de sobrevida em cinco anos ultrapassa 98%. No entanto, se a doença já se espalhou para outros órgãos, a taxa de sobrevida cai drasticamente para aproximadamente 30%. Esse contraste destaca a importância da detecção precoce e precisa.
Sinais e sintomas:
Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite).
Porém, o diagnóstico precoce possibilita melhores resultados no tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:
– Dificuldade de urinar;
– Diminuição do jato de urina;
– Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite;
– Presença de sangue na urina.
Na fase avançada, o câncer de próstata pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.
Para investigar os sinais e sintomas do câncer de próstata e descobrir se a doença está presente ou não, são feitos basicamente dois exames iniciais:
– Exame de toque retal: permite ao médico avaliar tamanho, forma e textura da próstata;
– Exame de PSA: exame de sangue que mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata (Antígeno Prostático Específico – PSA, na sigla em inglês). Níveis altos dessa proteína podem significar câncer, mas também doenças benignas.
Caso seja encontrada alguma alteração nestes exames é preciso fazer uma biópsia para confirmar ou descartar o câncer de próstata. Na biópsia são retirados pedaços muito pequenos da glândula para serem analisados no laboratório.
Fatores de risco:
– A idade é um fator de risco importante, uma vez que tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente após os 60 anos;
– Ter pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos pode refletir tanto fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos relacionados ao estilo de vida de risco de algumas famílias;
– Excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade) aumenta o risco de câncer de próstata avançado;
– Fumantes têm um risco aumentado de morte por câncer de próstata, ou seja, aqueles que desenvolvem a doença têm um prognóstico significativamente pior.
Alguns tipos de trabalho podem aumentar o risco de câncer de próstata. Isso inclui:
Reconhecer esses riscos e adotar medidas de proteção, como substituir o uso de substâncias com potencial de causar câncer por outras menos perigosas, assim como a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) fornecidos pelo empregador e o monitoramento dessas exposições, ajuda a proteger a saúde do trabalhador.
Tratamento:
A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após médico e paciente discutirem os riscos e benefícios de cada um.
Para doença localizada (que só atingiu a próstata e não se espalhou para outros órgãos), cirurgia, radioterapia e até mesmo observação vigilante (em algumas situações especiais) podem ser oferecidos. Para doença localmente avançada, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido utilizados. Para doença metastática (quando o tumor já se espalhou para outras partes do corpo), o tratamento mais indicado é a terapia hormonal.
Prevenção:
Está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis.
Nesse sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar.
Importante: Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, ou com 50 anos e sem estes fatores, devem ir ao urologista para conversar sobre o exame de toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos, e sobre o exame de sangue PSA.
Fontes:
Fonte: Biblioteca Virtual em Saúde / Ministério da Saúde
Foto: Grupo RSA de Comunicação / Rádio Sananduva Ltda