Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a população mundial com 60 anos ou mais era de aproximadamente 1 bilhão de pessoas em 2020 e deverá ultrapassar 2 bilhões até 2050. O último Censo, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em doze anos no Brasil. No Rio Grande do Sul. quase 40% da população será de idosos em 2070, segundo projeção do IBGE.
O estado chegou a expectativa de vida de 76,49 anos, sendo 79,63 anos para mulheres e 73,30 anos para homens. Além disso, pessoas com 60 anos ou mais já representam 20,6% da população, superando o percentual de jovens com menos de 15 anos (17,7%).
Diante desse contexto, surge uma preocupação: as violações contra essa população, que é mais vulnerável em determinados aspectos.
Segundo o Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, o estado do Rio Grande do Sul já registrou neste ano de 2026 o total de 39.647 casos de violações (Qualquer fato que atente ou viole os direitos humanos de uma vítima. Ex. Maus tratos, exploração sexual, tráfico de pessoas) contra a pessoa idosa. (Dados atualizados em 28/07/2026).
No norte do RS, Passo Fundo é a cidade com o maior número de casos, com 1.108. Erechim vem em seguida, com 417. Ambas somam 1.525 casos.
Para a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera de Passo Fundo, Profa. Jucélia Sabadin, essa é uma realidade em que a vítima tem receio de denunciar em função de o agressor ser, na grande maioria das vezes, um ente próximo e, por isso, a atenção dos cuidadores e familiares, deve ser redobrada.
“Discutir esse problema visa conscientizar a população acerca de medidas que podem ser tomadas e com isso, ampliar a qualidade de vida da terceira idade. Essas vítimas convivem com familiares por necessidade de receber rede de apoio, o qual nem sempre é prestado de forma adequada. Por isso a atenção deve ser constante”, indica.
Os principais casos de violências são: violência física; abuso psicológico; negligência; abandono; abuso financeiro; violência patrimonial; violência sexual; discriminação; violência institucional (que trata de qualquer tipo de violação exercida dentro do ambiente institucional público ou privado);
Para Jucélia, ainda que, quando não é um familiar, o idoso acaba sendo negligenciado por um cuidador e que a atenção permanente contribui para a redução dessas violências. “Quando se notar qualquer anormalidade no tratamento com o idoso, investigue e denuncie se houver algo de errado. Os idosos não têm, em geral, força ou métodos para se defender sozinhos. Há uma legislação responsável pelo direito do idoso e qualquer pessoa pode fazer a denúncia”, destaca.
A docente da Anhanguera indica que as denúncias podem ser feitas por diversos meios, seja através das Polícias Militar (190) ou Civil (197), o Disque 100 (que funciona diariamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana) e canais eletrônicos. Ademais, órgãos como o Ministério Público, mais específico a Promotoria de Justiça com atribuição em matéria do Idoso, podem ser procurados para defesa dos direitos difusos e coletivos dessa classe uma vez que forem violados.
O número de casos nas 10 principais cidades do Norte do RS. Confira:
• Passo Fundo: 1.108 casos;
• Erechim: 417 casos;
• Carazinho: 160 casos;
• Marau: 41 casos;
• Tapejara: 35 casos;
• Sarandi: 54 casos;
• Soledade: 124 casos
• Getúlio Vargas: 83 casos;
• Lagoa Vermelha: 71 casos;
• Frederico Westphalen: 43 casos;
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Fonte: Assessoria de Imprensa - Anhanguera / Deiwerson Damasceno e Carolina Pinho
Foto: Grupo RSA de Comunicação / Rádio Sananduva Ltda