O dólar fechou em forte alta na segunda-feira (26), após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições. A moeda norte-americana avançou 8,41%, encerrando o dia cotada a R$ 5,409. O resultado representa a maior alta diária desde janeiro de 1999, quando o Brasil adotou o regime de câmbio flutuante.
Na Bolsa de Valores brasileira, o movimento também foi de forte desvalorização. O Ibovespa encerrou o pregão com queda de 13,43%, aos 177.539 pontos, conforme dados preliminares. Caso confirmado, o resultado será o pior desde março de 2020, período marcado pelos impactos da pandemia de Covid-19 sobre os mercados internacionais.
A reação dos investidores foi motivada principalmente pelas incertezas em relação à condução da política econômica do próximo governo. Parte do mercado teme que não sejam implementadas medidas suficientes para controlar os gastos públicos e melhorar a situação fiscal do país.
A preocupação com as contas públicas pode aumentar o risco percebido pelos investidores, pressionando os juros futuros. Com taxas mais elevadas, o crédito tende a ficar mais caro para as empresas, o que pode comprometer investimentos, reduzir as perspectivas de lucro e pressionar as ações negociadas na Bolsa.
O cenário também levou instituições financeiras a reverem suas avaliações sobre os ativos brasileiros. O banco JP Morgan, por exemplo, rebaixou a recomendação para o real e os títulos públicos nacionais de “overweight” para “marketweight”, indicando uma mudança de uma posição acima da média do mercado para uma avaliação alinhada à média. Segundo a instituição, o resultado eleitoral deve provocar uma reavaliação significativa dos ativos do país.
Durante o pregão, a B3 acionou o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde 2020. A ferramenta interrompe temporariamente as negociações diante de quedas expressivas, permitindo que o mercado assimile as oscilações e reduzindo os efeitos de movimentos extremos.
A reação negativa contrasta com o desempenho registrado após o primeiro turno das eleições, quando as expectativas de vitória de Flávio Bolsonaro e de uma política fiscal mais rigorosa haviam impulsionado os ativos brasileiros. Na ocasião, o Ibovespa subiu 7,70%, alcançando 206.911 pontos, enquanto o dólar recuou 4,11%, fechando a R$ 5,001.
Com a disparada da moeda norte-americana nesta segunda-feira, o dólar voltou ao patamar registrado em dezembro de 2025, anulando a desvalorização acumulada em relação ao real ao longo do ano. Já a Bolsa atingiu seu menor nível desde junho.
Para especialistas do mercado financeiro, a intensidade das oscilações reflete a diferença entre as expectativas dos investidores e o resultado das urnas. A estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, avaliou que o movimento representa uma liquidação generalizada de ativos, em meio à cautela sobre os rumos econômicos e fiscais do país.
Apesar da reação imediata, analistas destacam que o comportamento do dólar e da Bolsa nos próximos meses dependerá das decisões e dos sinais emitidos pelo governo eleito, especialmente em relação ao controle das contas públicas. Medidas consideradas favoráveis à estabilidade fiscal poderão alterar as expectativas iniciais e contribuir para uma eventual recuperação dos mercados.
*Com informações do Jornal do Comércio
Fonte: Imprensa Rádio Sananduva FM
Foto: Grupo RSA de Comunicação / Rádio Sananduva Ltda