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VARIEDADES

Resultados do Enem mostram que classe social influencia na educação dos jovensResultados do Enem mostram que classe social influencia na educação dos jovens

Publicado em 21/01/2019, Por GaúchaZH

A recente divulgação dos resultados do Enem apresentou-nos um conjunto de dados bastante preocupantes, sobretudo para aqueles envolvidos na pesquisa e na implementação das políticas curriculares para o Ensino Médio.

De acordo com esta publicação, somente 293 jovens brasileiros que cursaram esta etapa da educação básica em condições econômicas desfavoráveis conseguiram desempenho equivalente aos estudantes oriundos das escolas de elite. Em tais condições, os estudantes pobres têm apenas 0,16% de chance de estarem entre as melhores notas no exame nacional. A condição socioeconômica dos jovens continua ocupando um papel central na compreensão da escolarização juvenil contemporânea.

Ainda que possamos relativizar a potencialidade heurística destes dados, não resta dúvidas de que sinalizam para uma nuance que, via de regra, é pouco considerada na promoção de políticas para estes atores. O investimento em infraestrutura nas escolas, em novos arranjos curriculares e em novos desenhos para os cursos de licenciatura são questões cruciais; entretanto, insuficientes para o contexto de nosso país. A melhoria do desempenho de nossos jovens não pode ser lida fora do enquadramento das matrizes de desigualdade que perfazem a plena educação desta população.

Políticas públicas destinadas ao Ensino Médio precisam cotejar inúmeros outros elementos que favoreçam o acesso, a permanência e a aprendizagem dos jovens na escola. Tenho defendido a importância de políticas intersetoriais que se proponham a compreender e a intervir no fenômeno desde uma pluralidade de estratégias. Isto se torna fundamental a medida em que desejamos promover a "liberdade efetiva das pessoas de realizarem seus próprios projetos", como nos esclarece o economista Amartya Sen.

Sob esta lógica, boas políticas destinadas à escolarização juvenil precisam combater a privação de liberdade e promover o desenvolvimento de capacidades – somente assim conseguiremos garantir politicamente o tão desejado protagonismo juvenil.

 

Por: Roberto Rafael Dias da Silva, professor da Unisinos




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